sexta-feira, janeiro 29, 2010

A PENA DO GRITO.

Queria gritar
Gritar esse incômodo
O não caber
Não ajustar
O não ceder.

São palavras e palavras
formigando a língua e os dedos
abandonando
à mingua os medos.
São palavras soltas
santas, sonsas
palavras más e sãs.
São palavras
que me comem a calma
e me escrevem a alma
todas as manhãs.

Eu queria gritar
esse veneno de tinta
que escala as veias
essa febre azul que pinta
às vezes
as vozes
letra por letra
costurando-me as asas
bordando no papel
a altura do vôo.

Eu queria gritar que a poesia
Mas a mordaça de letras
Essa vontade, verbo que anestesia,
E às palavras
O meu voo
Sentencia.

Eu,

que

ria.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Desses contratempos.

Nem sei como
Encontrar tempo
Se ele me foge
A passos de eco:

falta
falta
falta...