sábado, março 20, 2010

Carta.

Você ficou desbotado
perdido no meio de alguns papéis
algumas contas vencidas,
Uma carta com marcas d'água.

Acho que te amei.
Mas o tempo amareleceu as memórias,
embotou os sentidos.

Mas a carta denuncia a paixão
urgente e sôfrega,
a inocência escarlate da entrega.

Uma pena a lembrança da paixão
Ser volátil como as declarações
que fiz, ser tênue como a chama
que aos meus olhos ardeu.

Mas a carta não teu seu nome
amado anônimo,
sem cicatriz.
Amei, talvez.
Fui quem quis.

4 comentários:

Fouad Talal disse...

Me fez lembrar
uma música da Ceumar.

"Tudo vira lixo
Tudo pode virar lixo
Carta de amor vira lixo
Conta pra pagar vira lixo
Seja como for tudo pode virar lixo
Namorado, gato, tio
Até seu pavio
Também pode virar lixo
Tudo que se acende se apaga
Fósforo se apaga
Vela, incêndio, lamparina
O olho da menina até o seu
Tudo pode se apagar
Tudo pode se acabar
E virar lixo..."

Sylvia Araujo disse...

O melhor das cartas, pra mim, é a lembrança do que fomos.

Teus textos sçao deliciosos.

Beijoca

Alexandre Beanes disse...

No porta-retrato
Uma foto amarelada
Mostrando um rosto vívido
Entre a felicidade
E a saudade...

Na gaveta,
O amor entregue as traças
Em companhia de poemas antigos.

J.F. de Souza disse...

ainda que o tempo tinja a matéria desse amarelo-areia,
ela persistirá com as cores da lembrança.
(é triste tentar
registrar
em qualquer matéria
o que é
volátil...)