segunda-feira, abril 26, 2010

Concha.

Acredito,
não sou das pessoas piores
provavelmente nem melhores
ainda assim,
acredito, eu tento
sinto, não invento
e mágoa é dor fina
espeta a gente por dentro.

Acredito
na flor das esperas
tentativas deveras
nesse mundo de feras.
Egoísta não sou...
(acredito)
(tento)
Mas nas palavras
lanças
atravessando
as crenças.

Nunca pretendi sê-lo.

Apenas tenho dores
às vezes quero ser pequena
ajeitar-me num colo
que no meu não me caibo.

A imagem que eu bordei na porta
Forte o suficiente
Para sustentar o sorriso,
Abriga tantos abraços e carinhos
Quanto comporta meu abrigo:
Só não comporta
Meus próprios passos.
e eu também preciso,
embora quase sempre eu cale...

quarta-feira, abril 07, 2010

COM CIÊNCIA.

Compre
Compre
Compre
Consuma, é a ordem
Maioria geral.
Come, nem sente, consente
Inconsciente.

O lixo se acumula pelos cantos
O luxo sobe escadas e entretantos
O relaxo nos empurra aos solavancos.

E em algum lugar do planeta
Alguém rasura, censura a letra
Forja os grilhões da farsa
Para que gentilmente submeta
A alma e as cores, gerações.

Em coma, ainda ciente
Não consente e esperneia o coração
Busca outras vozes que entoem oração
A bandeira já sem graça da esperança
Erga o peito e desafie o ser igual.

Seja o vento que tosse, insistente
Essa fumaça que se forma à nossa frente
Não desbote a contradança do ideal.

É o lixo, o luxo, o relaxo:
Obras postas no horizonte em que me acho
Que não desçam as cortinas do final.