quinta-feira, maio 27, 2010

Entre as pás.

Um ser humano.
Ilha cercada de escuro
por todas as partes.
Uma pedrada
Um grito no escuro
A imperfeição
De todas as artes.

Um ser humano.
A espiar o futuro,
Entre risos e enfartes.
Um golpe de espada
A cara no muro
A comunhão
Desses rubro estandartes.

Um coração.
Um silêncio duro,
Pulsando escarlate.
Uma dor espalmada
Um amor puro
E a decisão
Que essas vidas reparte.

segunda-feira, maio 17, 2010

Na falta de versos...

E se por acaso atrapalhar você
Essa desastrada falta de versos
Ignore, não esboce gestos
Que o mal incerto das palavras
Talvez volte a pinicar
Já que não temos assim dias certos
Para brilhar.

quarta-feira, maio 05, 2010

Artista.

Se atreve
Os dedos emaranhados
Entre o nascer do sol e a tempestade.

Se atreve,
A vida cavalgando mergulhos
Na boca do estômago aberta em susto.

Se atreve:
O azul tingindo as pupilas,
A exposição colossal do artista.

Se atreve...
Rubra boca
Numa prece que não se acabe
Esse mundo, essa vida, essa sensação tão louca.

Se é febre,
Veste os delírios.
Que o tempo é curto, e avida tão pouca.

Se eleve,
acima do cansaço, das vertigens, da fumaça
Onde Ele pulsa, derramando as cores

Obra perfeita onde pixamos dores.