sexta-feira, agosto 27, 2010

Distante?

Distante
Diz tanto,
Esse jeito
Inconstante
De amar.

Diz tanto
Que até te escuto
Pensar.

Distante tuas mãos,
Embora me abrace
O olhar.

Diz tanto
Distante
Que já nem preciso ligar:
Basta que o pensamento,
Pouse em teu nome,
Feito um sopro sozinho,
Que já te escuto chamar.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Das saudades.

Sinto falta de mim.
Sinto falta de vocês.

Sinto falta do brilho
De todos os sorrisos
Que já passaram pelos lábios.

Estive olhando fotos
E descobri
O quanto a gente é feliz
E nem sabe.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Vírus.

Relógio-precipício.
Um tique-taque azedo
Arranhando a garganta.

Cada ponteiro
Sugando afiado
A vida das minhas veias.

O peito respira fraco, sem vontade.
Algumas palavras, depois que entram nos ouvidos,
Se assemelham a vírus, infectando as células.
Uma à uma.

Parasita do que queria ser felicidade...

O tempo vai passando,
o vírus se espalhando
e eu não encontro antídoto.
Vacina.
Remédio que controle a dor.

Algumas palavras
Deviam
Ser erradicadas.

segunda-feira, agosto 09, 2010

Afasta das minhas mãos

O frio que insiste em rendar as madrugadas.

Afasta do meu peito

O vazio que me procura com os olhos de fome.


Aqui nesse nosso mundo

Eu consigo ser feliz e rir com os pássaros

E seguir lá na frente

Os passos rápidos da esperança.


Mas eu estive lá fora novamente, amor.

Eu nem sei, não resisto.

E a realidade machucada das coisas

A brutalidade dos sentimentos acinzentados

Essa aspereza na superfície dos olhares.

Essas coisas tão sem fundo, tão poucas de si,

E o barulho ensurdecedor das horas rolando,

O tique-taque surdo dos corações tombando,

E a pele parecendo quebrar sob o peso das aparências.

E a incapacidade que eu tive de respirar

Aquela fumaça densa que contornava os princípios.


Eu voltei assim, amor,

Consegui ouvir a tua voz doce sob a cortina de estilhaços.

Mas segue em mim esse descompasso

O que sei, o que sou, o que há.

Eu trouxe comigo essa perturbação,

Essa pobre impotência aninhada em meus braços,

E aquele velho cansaço, feito pixe nos calcanheres...


Desculpa, amor.

É em mim o poema, querendo voar além

Eu não resisto a tentar abrir as portas...