segunda-feira, agosto 09, 2010

Afasta das minhas mãos

O frio que insiste em rendar as madrugadas.

Afasta do meu peito

O vazio que me procura com os olhos de fome.


Aqui nesse nosso mundo

Eu consigo ser feliz e rir com os pássaros

E seguir lá na frente

Os passos rápidos da esperança.


Mas eu estive lá fora novamente, amor.

Eu nem sei, não resisto.

E a realidade machucada das coisas

A brutalidade dos sentimentos acinzentados

Essa aspereza na superfície dos olhares.

Essas coisas tão sem fundo, tão poucas de si,

E o barulho ensurdecedor das horas rolando,

O tique-taque surdo dos corações tombando,

E a pele parecendo quebrar sob o peso das aparências.

E a incapacidade que eu tive de respirar

Aquela fumaça densa que contornava os princípios.


Eu voltei assim, amor,

Consegui ouvir a tua voz doce sob a cortina de estilhaços.

Mas segue em mim esse descompasso

O que sei, o que sou, o que há.

Eu trouxe comigo essa perturbação,

Essa pobre impotência aninhada em meus braços,

E aquele velho cansaço, feito pixe nos calcanheres...


Desculpa, amor.

É em mim o poema, querendo voar além

Eu não resisto a tentar abrir as portas...

5 comentários:

Lubi disse...

olha,
um dos melhores poemas que li nos últimos tempos.

um beijo, estrela.

Lubi disse...

amor. não morre.

TERRAS DE NENHÚ disse...

minha poeta:
Assim mesmo
é preciso trafegar entre os mundos, não deixar que as pistas se apaguem
pra que o paraiso não se torne prisão
nem sejamos nossos próprios reféns...


Lindíssimo!

Scarllet disse...

Só sei dizer; lindo!

J.F. de Souza disse...

blockbuster
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o desespero
de estar aqui
dentro

me atiro à janela
que resiste
fechada

vidraça
estilhaços
explosão

tudo ali dentro
sucumbe

mas eu
estou
vivo