domingo, janeiro 09, 2011

Manual desengonçado do silêncio.

Se fosse feliz, seria o início.
Os inícios são felizes.
Os finais sempre precedem os silêncios.
Podem ser silêncios, também.
E se fosse possível ilustrar na ponta dos dedos
Essas coisas impassíveis que nos ditam.
E se estivéssemos a salvo.
Depois dessa enfadonha batalha dos dias
Dialogar rotinas e retinas, luz e mistério,
Prismas decifrando as íris irriquietas sob os arcos dos olhos.
E se fosse possível.
Talvez o silêncio viesse antes, não sei.
Antes dessa incômoda falta de ar.
Da lacuna aberta antre lábios
Do olhar selado de tanto calar.
Sei apenas que se fosse feliz, seria o início.
Porque os finais precedem o silêncio das coisas.

4 comentários:

J.F. de Souza disse...

tem um poema de uma moça de quem sou fã, o qual teu escrito me fez lembrar:
----------------------------
afinação
--------
há que se aprender a tirar silêncio
das coisas

quando uma coisa produz silêncio
ela está
pronta
-------------------------------

=*

Thales Capitani disse...

Palavras tão dolorosas quanto um silêncio...
lindo.

reflexão disse...

O silêncio fala mais alto quando há sintonia de idéias. Pode até ser idéias antagônicas, mas estão no mesmo canal, na mesma frequência!

Cacau disse...

Oi, Bom dia!
Há muito a admiro a distância, quieta, só observando e contemplando seu talento...
Hoje resolvi sair da minha quietude pra poder dizer que vc toca sem ser piegas, que faz refletir sem aprisionar nos reflexo... enfim, só estou aqui pra dizer...
Parabéns pelo seu dom!
Ler você é enlevo!
Att, Claudia Castro Alves.