segunda-feira, agosto 29, 2011

Crônicas da volúpia.

Ajeitou o cabelo e olhou de relance no espelho, ainda uma vez.
     Carregava nos lábios o veneno escarlate da solidão.

Um passo à rua.
A curvas longas
Os olhos cheios.

Veneno escarlate.

Os olhos da fome
Os olhos sem nome
Os olhos que homem.

Sentou no café,
Cruzou as pernas,
Ancorando olhares.
Nem a fumaça
De eternas esperas
Era possível, agora.

A demora.
1, 2, 3, 30 minutos.
Aos 37, atrasado como.
E o cabelo em desalinho,
Aninhando as desvontades.
O perdão já se precipitava
Fugindo entre os dentes,
Cela que não continha as doçuras.

No toque das mãos
houve um princípio de incêndio:
Que aumentou logo depois,
3 quadras de distância,
motel barato,
Taj Mahal de desejos.

Despiu os pêlos
E à pele arrepiada
Desde os lábios
Amaciando os caminhos
Em reluzente carícia.

Ao tocá-lo,
Armadura sem palavras
Agonia em tantos versos mudos,
Os poemas verdes,
As conjugações mais duras:
Lhe mordia o sal dos picos
Apressando rimas e estribilhos.

E foram tantas rimas ricas
Que de poema
se declararam juntos:

Até que o palavra os saciasse.

terça-feira, agosto 09, 2011

Cabe ao poeta.

Esse costume de adestrar a dor
Até que se torne mansa, dor,
Até que venha nos lamber as mãos,
E nos acompanhe as solidões.

Esse vício de agregar dor,
Até que se torne parte
E nos tome por arte
Profissão poesia, de
Contar a dor.