domingo, maio 20, 2012

Di (s)sol VER-se.

Há quanto tempo as visões e profecias estão no ar?
Há quanto tempo transitamos entre saber e não...?
Há quanto tem entre as dimensões, entre o todo e a ilusão?

Eu só sei dizer que hoje eu sei
O que a tanto tempo me vira do avesso
Planta arrepios e tempestades no revés dos pêlos

Desespero na imcompreensão dos cataclismas internos
E agora sorrisos no olho-furação do não-ser?

Hoje eu posso me abandonar ao sabor dos tsunamis
Deixar que me levem, meu querido Paulo Bonfim,
"Agora que todas as avalanches
Rolam por mim,
Agora que todos os atalhos
morrem em mim
E raios e porcelanas
Me atravessam solidões"

Me abadonar e
"Deixem que se cumpra
O desígnio dos rios,
Que a primeira floresta
Rasgue o ventre do asfalto"

Porque não importa,
Está tudo certo,
Como deveria, como foi e será,
Porque as rédeas não são minhas...
E eu posso enfim relaxar da insana tentativa
De compreender e controlar a vida -
Que não me pertence.
Eu pertenço - Sou parte, sou arte, sou TODO.

Indivisível acontecimento onde não cabem dores,
apenas alegria, encontro
E sim,
Amado poetas:
Nós somos RE encontro.

Apenas o coração é sábio.

(feliz como passarinho em céu de outono).

[Trecho entre aspas são partes do "Poema do Desespero" do grande mestre PAULO BONFIM]

segunda-feira, maio 07, 2012

Como é que faz?

Como é que a gente faz, 
quando as bonitezas do mundo 
parecem soprar dentro e fora da gente, 
dobrando todos os pelos, as vontades e os sentidos?

O que fazer quando a vida é um suspiro maior 
e não cabe nem no portão nem no sorriso 
e essa onda sempre vindo, inunda o espírito?

O que a gente faz, quando o sol derrama 
sobre a pele toda a riqueza das esperas, 
o céu abraça com todo azul das calmarias 
e as distâncias completam ciclos revolutos dentro das saudades?

O que, me diz, a gente faz, 
quando tudo é assim tão grande, tão voraz?
A vida é um gole grande, mas o depois, 
O depois, consegue ser tão mais...